Maestro Gaó

Odmar do Amaral Gurgel, conhecido artisticamente como Maestro Gaó, foi regente, pianista, radialista e compositor musical durante mais de sete décadas. Saltense nascido em 12 de fevereiro de 1909, era filho de Joanna e Acylino do Amaral Gurgel, ambos professores e músicos em Salto. Tendo no lar as influências primordiais, já aos cinco anos Gaó estava alfabetizado e começava a estudar música. Era aluno do 1º Grupo Escolar de Salto, do qual seu pai chegou a ser diretor. Aos onze anos, o futuro maestro renomado já participava de uma orquestra de salão, da qual se tornou o regente com apenas 11 anos. À noite, em Salto, o trabalho do jovem Gaó era ir ao Cine Pavilhão para selecionar as músicas da orquestra, da qual seu pai era clarinetista, adaptando-as às diversas cenas dos filmes mudos daqueles tempos. Certa vez, o jornal carioca Correio da Manhã, em texto de Carlos Lacerda, publicou sobre Gaó, após uma brilhante apresentação sua: “A Sinfonia do Brasil, que procura exprimir na variedade dos motivos, a grandeza do Brasil através da arte, encontrou o seu animador. Por pitoresca coincidência nesse espetáculo de exaltação ao esforço e valor do povo brasileiro, o criador de beleza foi um rapaz de Salto do Itú [sic], que aprendeu piano em casa com seus pais, professores públicos, e constitui uma lição de valor e de esforço próprios, lição aos músicos e a toda gente.”
Família do Maestro Gaó. São os pais: Acylino e Joanna. Os filhos (da esquerda para a direita): Ayr, Grafir, Oisb, Walkyr e Odmar (Gaó)
Em 1920 Gaó compôs sua primeira música, uma mazurca, e a batizou "Primeira inspiração". As seguintes foram "O cantor sincero" e "Myosotis", oferecida à sua mãe. Buscando desenvolver seu talento, foi para São Paulo, tendo como primeiro professor o pianista Samuel Arcanjo dos Santos, responsável por sua preparação para o ingresso no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo. Nesses cinco primeiros anos na capital, residiu numa pensão – onde conheceu sua futura esposa, que era filha do proprietário – e foi empregado de uma loja de música, a Casa Di Franco. No citado
conservatório teve como professores Mário Andrade, Carlos Paglucci e Savino de Beneditis. Enquanto estudava, Gaó sobrevivia toando na Jazz Band Manon e na Casa Di Franco, o que lhe propiciou o contato com renomados músicos a época, tais como Tupinambá, Eduardo Santo e Ernesto Nazareth. Assim, diplomou-se concertista em 1927.



Até 1924 assinou suas músicas com suas iniciais: O.A.G., mas aconselhado por um amigo, nessa data, inverteu-as, passando a se chamar artisticamente Gaó. Nessa mesma década atuou na rádio Educadora Paulista - pouco tempo depois rebatizada como rádio Gazeta - onde dirigiu um quarteto de cordas. Atuou também na rádio Cruzeiro do Sul. Por essa época, tornou-se exclusivo da gravadora de discos Colúmbia, da qual chegou a ser diretor, contexto no qual surgiu seu primeiro quarteto de jazz. Como solista da Orquesta Colbaz, por ele criada, obteve destaque com as músicas "Branca", "Tico-tico no fubá" (ambas composições de Zequinha de Abreu) e com os discos "Gaó, seu piano e sua orquestra", "Gaó bem brasileiro" e "Gaó viaja pelo mundo". Teve participações na sonorização de filmes, especialmente na Atlântida. Dirigiu as rádios Cruzeiro do Sul e Cosmo e criou programas de sucesso, como "Hora da saudade" e "Hora dos calouros". Compôs logotons para programas famosos à época. Já no final da década de 1930 Gaó era figura de relevo no cenário artístico paulistano.


Sua ida para o Rio de Janeiro, para trabalhar nas rádios Ipanema e Mauá, foi seguida de um curto período em solo argentino, na rádio Belgrano, com posterior retorno ao Rio, quanto a rádio Nacional o contratou. Ainda na então capital federal, Gaó trabalhou no Cassino da Urca, tendo participado de festas de figuras eminentes do cenário nacional. Esteve também à frente da Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal de São Paulo, por curto período, e na direção da rádio Globo carioca. Em 1945 Gaó foi para os Estados Unidos, lá permanecendo por duas décadas, sendo tratado por “embaixador do samba”. Apresentou-se algumas vezes, inclusive, ao lado de Carmem Miranda.


 De volta ao Brasil, radicou-se em Mogi das Cruzes no  início dos anos 70,e também começou a parceria com Maurício de Souza para fazer a trilha sonora da Turma da Mônica onde faleceria em setembro de 1992. Muito bem acolhido nessa cidade, a escritora mogiana Botyra Camorim escreveu uma biografia sobre Gaó, intitulada Sonata em quadro movimentos. Gaó também publicou um livro, Teoria moderna de música.





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