segunda-feira, 24 de junho de 2019

Padre Eustáquio e a tuberculose na década de 30 em Poá.


Apesar da proliferação dos centros religiosos paulistas que atraíam a presença dos fracos do peito, nenhum outro local granjeou tanta fama quanto a igreja matriz da vila de Poá, área então pertencente ao município de Mogi das Cruzes e localizada a cerca de 35 Km da cidade de São Paulo. No ano de 1935, o sacerdote holandês Eustáquio Van Lieshout foi designado para coordenar os serviços pastorais naquela comunidade, imediatamente ganhando prestígio como médico e farmacêutico improvisado que curava todos os adoentados que o procuravam. A declarada devoção do padre Eustáquio à Nossa Senhora de Lourdes, estimulou os boatos que apontavam o filho da Ordem do Sagrado Coração como responsável pelas ‘curas milagrosas’ de diversos pectários, fato que instigou ainda mais a presença de tuberculosos na pequena Poá. A agitação que tomou conta do núcleo religioso chamou a atenção da polícia getulista que, no final da década de 30, designou o médico Aguiar Whitaker (1944) para averiguar de perto o que vinha acontecendo na paróquia comandada pelo padre holandês. O Dr. Whitaker, por sua vez, convocou meia dúzia de ‘secretas’ para o acompanharem até o local dos acontecimentos, misturando-se aos peregrinos para descobrir a verdade sobre os milagres. As descrições elaboradas pelo médico da polícia são impressionantes: a vila que contava com pouco mais de uma centena de habitantes era tomada diariamente por cerca de 10 mil visitantes, sendo que a região transformara-se em um “acampamento de barbaros”, onde paralíticos e portadores de moléstias infecto-contagiosas engalfinhavam-se na disputa pela água benzida pelo padre Eustáquio. Curioso para saber com precisão o número de tísicos que cotidianamente compareciam àquele centro de milagres, o Dr. Whitaker manteve-se indeciso, resignando-se em tecer um paralelo entre a matriz de Poá e a basílica francesa de Nossa Senhora de Lourdes, assinalando que, no caso do santuário europeu, pelo menos um terço dos peregrinos era composto por doentes pulmonares. Rejeitados por muitas das pessoas íntimas, aviltados no emprego e espreitados pela polícia, muitos convalescentes sentiam-se verdadeiros mendigos que esmolavam solidariedade e saúde. Não, não era tarefa fácil o retorno e permanência dos pectários para o mundo que lhes fora minimamente acolhedor até o momento em que a ‘magrinha’ se apoderara de suas existências. “Oh! desespero das pessôas tísicas...”, esta sentença de desabafo foi pronunciada na segunda década do século passado pelo fimatoso Augusto dos Anjos e ajusta-se com perfeição ao sentimento de muitos personagens consuntivos que tentaram reingressar na pátria dos sadios, resultando no acréscimo de novas mágoas às biografias dos tísicos. 

Fonte: História social da tuberculose e do tuberculoso: 1900-1950Claudio Bertolli Filho


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sábado, 22 de junho de 2019

Trovas amigas - Elza Meirelles Chola

Homenagem à Mogi das Cruzes pelos seus 425 anos 1º de setembro de 1985.







Serra do Itapeti
Elza Meirelles


Progresso, afasta a cidade
da Serra, onde nasceu.
Mas, sene orgulho e vaidade
pois, dela nunca esqueceu.

Hoje, Mogi é famosa Chola

é uma cidade importante
Progrediu culta e formosa
mas, da Sera-mãe, distante.

E, longe da natureza
quese vislumbra daqui 
tem o mogiano a certeza
que ama a sua Itapeti

È a cidade, um coração
que guarda, embora contida
pela Serra, uma paixão:
- sua Itapeti, querida!


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4ª Feira de artesanato

4ª Feira de artesanato
Promovida pelo - Capitulo Rosacruz de Mogi das Cruzes - AMORC
Os rosacruzes poderão mostrar seu trabalho místico filosófico ao público visitante, 
e também abrir espaço aos artesãos de nosso município e região mostrar seus trabalhos.

Feira de artesanato

sexta-feira, 21 de junho de 2019

Planta de Mogi das Cruzes em 1901

Planta da cidade de Mogi das Cruzes em 1901. Trabalho realizado pelo engenheiro Antônio do Nascimento Moura para fazer o levantamento das ruas e projetar a rede de esgoto do município desse mesmo ano.



Para os mais novos que não conhecem os nomes antigos das ruas de nossa cidade.



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domingo, 16 de junho de 2019

Quem foi Barão de Jaceguai?



Artur Silveira de Mota, ou apenas Barão de Jaceguai, nasceu em São Paulo, no dia 26 de maio de 1843. Filho do Conselheiro José Inácio Silveira da Mota, Artur começou seus estudos no Colégio Vitória e, com 15 anos, já era um aspirante à guarda-marinha na Escola Naval do Rio de Janeiro, finalizando o curso em 1860. Por esses anos, Artur ficou bem próximo a deixar a carreira militar: impressionado com a terrível catástrofe que havia acabado de destruir a corveta Isabel, na qual morreu toda uma turma de militares, seu pai solicitou junto ao Ministro da Guerra, o Conselheiro Rego Barros, que seu filho fosse transferido para as fileiras do Exército. Contudo, Artur negou veementemente essa possibilidade continuou se dedicando às atividades na Marinha. No ano de 1861, Artur fez sua primeira viagem de instrução, a bordo da corveta Baiana, que estava sob o comando de José Maria Rodrigues, então Capitão de-mar-e-guerra. Nessa viagem, ele teve a oportunidade de visitar a Inglaterra, França, Espanha, costa da África e os Estados Unidos. Artur Silveira de Mota, ou apenas Barão de Jaceguai, nasceu em São Paulo, no dia 26 de maio de 1843. Filho do Conselheiro José Inácio Silveira da Mota, Artur começou seus estudos no Colégio Vitória e, com 15 anos, já era um aspirante à guarda-marinha na Escola Naval do Rio de Janeiro, finalizando o curso em 1860. Por esses anos, Artur ficou bem próximo a deixar a carreira militar: impressionado com a terrível catástrofe que havia acabado de destruir a corveta Isabel, na qual morreu toda uma turma de militares, seu pai solicitou junto ao Ministro da Guerra, o Conselheiro Rego Barros, que seu filho fosse transferido para as fileiras do Exército. Contudo, Artur negou veementemente essa possibilidade continuou se dedicando às atividades na Marinha. No ano de 1861, Artur fez sua primeira viagem de instrução, a bordo da corveta Baiana, que estava sob o comando de José Maria Rodrigues, então Capitão de Mar e guerra. Nessa viagem, ele teve a oportunidade de visitar a Inglaterra, França, Espanha, costa da África e os Estados Unidos. Com o fim do confronto, ele já possuía 26 anos e já era capitão-de-mar-e-guerra, casou - se com em Buenos Aires, em 9 de fevereiro de 1870, com a italiana Luiza Glech e logo após retornou ao Brasil quando foi nomeado comandante do navio Niterói, o maior navio de esquadra brasileira. O tempo passou Artur já havia recebido a patente de Chefe de Esquadra, posto referente ao de Vice Almirante quando em 1882 veio se encontrar em Mogi das Cruzes  com seu irmão Honório Silveira da Mota coletor de rendas e morador deste município.  Em agosto de 1884 foi condecorado com o título de Barão pelo Governo Imperial, passou a ser chamado de Barão de Jaceguai.No mês de outubro de 1887. pediu reforma nesse mesmo ano voltou até Mogi das Cruzes com desejo de residir na cidade.




Em 1888 após ter adquirido uma grande área de terra, realizou uma grande festa para o Governo imperial inaugurando sua bela residência na chácara aonde a sua família começou a residir.  Nesse local passou a investir em sua chácara o cultivo de uva e caqui. Em 1889 com a queda do regime monárquico e por consequência da Proclamação da República ele perdeu o título de Barão de Jaceguai. Em 1900 ele foi reintegrado nos serviços da armada naval brasileira como vice almirante foi para o Rio de Janeiro e quando voltou assumiu a função de diretor da escola Naval. Em maio de 1902 chegou a patente mais alto da Marinha como Almirante passou-se quase uma década serviços prestados, em fevereiro de 1911, foi reformao novamene e recebeu a honrosa medalha "Companhia Oriental". Nesse período as suas terras que ocupavam grande parte da área central de Mogi das cruzes foram colocadas a disposição e loteadas para abrir novas ruas. No dia 6 de junho de 1914 na Capital Federal na época era na cidade do Rio de Janeiro faleceu o conhecido pelo mogianos o Barão de Jaceguai.


Fonte:
http://www.saopauloinfoco.com.br/um-colosso-da-marinha-brasileira-a-historia-do-barao-de-jaceguai/
Mogi das Cuzes ,Os grandes personagens da história, Vol 3.

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segunda-feira, 3 de junho de 2019

A educação em Mogi das Cruzes no início do século XX

Em 1914 Mogi das Cruzes possuía uma população aproximada de 20080 habitantes, sendo 2.868 em idade escolar. O Município atendia em instituições educacionais 1280 alunos, ou 44,6% das crianças, distribuídas da seguinte forma: 1037 em escolas estaduais; 76 em escolas municipais e 167 em instituições particulares. Entre escolas isoladas, reunidas e Grupo Escolar, Mogi das Cruzes possuía 25 escolas. (Annuario, 1914)

 O Grupo Escolar de Mogy das Cruzes era a maior delas. Instalado em 07 de setembro de 1896, funcionava, em 1914, em dois períodos, atendendo 551 alunos; seu diretor era Rodolpho Nunes Pereira. Compunha seu quadro docente algumas das figuras de nome e sobrenome, bastante conhecidas na cidade, como: João Cardoso de Siqueira Primo, Adelino Borges Vieira; Ermelina Boulhosa Arouche; Francisco de Sousa Mello, entre outros. (Annuario, 1914) As mesmas famílias que tinham representantes no magistério local circulavam entre associações literárias, associações comerciais, irmandades religiosas, etc.; famílias como Sousa Mello, Arouche, Vieira, Siqueira, Navajas, Mello Freire, Sousa Franco, etc., ocupavam as principais posições de poder na vida política local. Não havia uma linha divisória entre público e privado, a maior ou menor aproximação com estas famílias era, por vezes, decisiva para ser nomeado para uma função pública, ou qualquer posição de destaque na sociedade local; daí a importância de se olhar para o Grupo Escolar dentro da rede de relações. 

Já o ensino privado tinha uma vida muito instável. O número de estabelecimentos variava muito de ano para ano; alguns ao iniciarem seus trabalhos letivos, funcionavam meses e logo fechavam. A falta de continuidade na vida destes estabelecimentos, aliados ao baixo número de inspetores, num total de 21, para vistoriar todos os estabelecimentos de ensino no Estado (Annuario, 1914, p.22), resultavam em pouco controle do poder público sobre as instituições particulares. Quando se tratava de estabelecimentos particulares a própria Directoria da Instrução Públlica , encarregada da direção e inspeção geral do ensino no Estado, admitia não controlar os “titulos de habilitação profissionaes dos professores”, e que “... quem quer, do dia para noite, (...) abre uma escola particular sem preencher as condições legaes...” Essas declarações fornecem uma idéia do que era o controle sobre os estabelecimentos privados. Para além dessas representações sobre a atuação dos estabelecimentos administrados por congregações religiosas, há pouca informação sobre as instituições particulares nos anuários. No ano de 1914, em Mogi das Cruzes, constavam no registro dos inspetores três estabelecimentos particulares: o Lyceu de Artes e Officios dirigido por D. Helena Hermann, oferecia curso profissional para 75 alumnas; a Escola Particular, dirigida por D. Guilhermina Juncker que oferecia curso primário para 12 alumnos, sendo 8 do sexo masculino e 4 do sexo feminino; e o Externato Sant’ Anna, dirigido pelo Pe João Lourenço de Siqueira. (Annuário, 1914, p.600-601) Em 1918, ao lado do Externato Sant’Anna, havia outras quatro instituições particulares de ensino: Instituto Musical Santa Cecília, Escola Particular I e II, The Bloson Home - escola primária com 18 alunos. (Annuário, 1918) No período que vai de 1914 a 1918 diversos estabelecimentos de ensino surgiram, mas, diferente da maior parte dos estabelecimentos, o Externato Sant’Anna foi o único que funcionou ininterruptamente por todo este período


Fundado em 1914 para funcionar como um estabelecimento particular de ensino católico era dirigido pelo Padre João Lourenço de Siqueira - figura conhecida na cidade por promover diversas obras como a restauração da Igreja Matriz, a fundação da Sociedade para atendimento dos morféticos, a fundação da Conferência de São Vicente de Paulo e o próprio Externato para abrigar crianças pobres, entre outras. (Toledo, 2004, V. I, p.86) O Padre, vindo de família católica local, que tinha uma boa condição social, deixou em testamento, todos os seus bens para que fosse fundado em Mogi das Cruzes, um asilo para meninas órfãs e pobres que deveria carregar o nome de sua mãe, dona Placidina Maria de Jesus.

Créditos: JUAREZ BERNARDINO DE OLIVEIRA, A INFÂNCIA DESVALIDA NA TRAJETÓRIA DO INSTITUTO DONA PLACIDINA EM MOGI DAS CRUZES (1931 - 1966): análise da dinâmica de atendimento de meninas órfãs e pobres em uma instituição de ensino católica. Mestrado em Educação: História, Política, Sociedade.

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segunda-feira, 11 de março de 2019

Rara Books Livraria e Café convida para a noite de autógrafos do livro “Poá: De Província à Estância Hidromineral”, que será realizado no dia 15/3, a partir das 20h. Haverá um debate com os autores Jeruza Reis, Adilson Ramos e Silvio de Carvalho




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